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20 de mar. de 2014

A sabedoria musical de Lia - Lia Sophia

Sabe onde fica a Guiana Francesa? Bom, você pode até não lembrar, mas certamente foi questão de prova na época da escola. Pois bem, foi lá dessa Guiana que veio uma cantora, instrumentista e compositora chamada Lia Sophia. Nascida em 1978, paraense (e já já pernambucana) de coração, Lia toca, canta e encanta de tudo um pouco, principalmente se o assunto for dançante e amoroso.


"Inspirou perfume, aroma sedutor da tua boca e dos teus ais"
Em Recife, Lia esteve várias vezes, afinal, aqui é terra boa pra tocar e dar certo, sendo seu último tour na Veneza brasileira no Galo da Madrugada e festas de carnaval, homenageando inclusive o nosso eterno rei do brega Reginaldo Rossi. A principal música de sua carreira, “Ai menina”, mostrou-se ao público pela primeira vez no carnaval multicultural no pólo do Pátio de São Pedro, na participação do show de Gaby Amarantos, em 2012.
 
Lia promete e cumpre. Ela tem a ginga, o colorido, a musicalidade e o carisma que todo artista deve ter. Já canta Milton, “todo artista tem de ir aonde o povo está” e não é que ela vai mesmo? Fizemos umas perguntinhas pra ela, confere só:


 1. O verdadeiro bregueiro é aquele que...
Sabe aproveitar a vida sem preconceitos, com liberdade de espírito.

 2. De que o brega é composto?
Romantismo, liberdade e música.
(A MPB socialmente conhecida fala disso também, vejam só)

 3. Você se acha brega?
Sim! Sou romântica, autêntica e me permito ser livre de preconceitos bobos.
(Autenticidade creio que seja uma das maiores marcas da música brega)

 4. Pra você, existe mais de um tipo de brega?
"Menina, o que fazer com essa saia rodada?"
Sim. Em termos musicais existe o brega clássico ou o Flash Brega (como é chamado em algumas aparelhagens no Pará), o tecnobrega e o melody.

5. Como a sociedade vê a música brega?
O brega é visto de duas maneiras. Uma pequena parte da sociedade que se diz intelectualizada e elitista entende o brega como uma música cafona e sem conteúdo, mas a grande maioria (e aqui me incluo) vê o brega como uma forma de expressão de sentimentos, como um estilo de vida, como uma maneira mais leve de encarar a vida.
(Disse tudo! Gravou? Tomou como norte para sua vida? Próxima...)

6. Quais os cantores e bandas que para você representam o brega?
Quero citar alguns clássicos que marcaram a história da música brega como Reginaldo Rossi, Amado Batista, Odair José, Waldick Soriano, Carlos Santos, Alípio Martins e tantos outros. Dentre os mais atuais, Banda Calypso, Gaby Amarantos, Michelle Melo, Gang do Eletro, entre outros.
"Eu não vou voltar, não, pro seu amor de promoção"
(Pernambuco e Pará, todos juntos não deixando o brega morrer)

 
O quarto cd de Lia Sophia foi lançado pela Som Livre e também no iTunes. Inclui os hits “Ai Menina”, “Amor de Promoção” (que vocês verão a seguir), além da versão em cumbia de “Noite do Prazer”, de Claudio Zoli e “Quero você”, brega cláaaaassico de Carlos Santos e Alípio Martins.

 
Clipe "Amor de promoção"

 

24 de dez. de 2013

O nosso rei do brega se foi.



"Deixou em pedaços o meu coração". O nosso rei Reginaldo Rossi se foi e só nos restou chorar e lembrar. Chorar porque nosso corpo é fraco pra perdas, mas o mesmo corpo nos faz forte o suficiente para lembrar da pessoa que Rossi foi. Ícone da música brega, o nosso rei nos deixou a imagem da alegria, da amizade, da melodia suave de nossas vidas e amores, do ritmo do nosso coração, do movimento musical humilde, rico, humano e feliz que é o brega. Sentiremos muita saudade, mas na felicidade de que pudemos conhecer e ouvir uma pessoa que fez o mundo girar diferente, levianamente ao lado de um garçom amigo.

Entrada da Alepe
Rossi bebeu e fumou muito, não cuidava do seu corpo (como muitos homens fazem - medo de médico). Em vários shows mal aguentava cantar, muito menos lembrar a letra das músicas. Na van pós-show muitas vezes estava no chão de tão trêbado. Vida leviana que resultou na sua morte "precoce". Se foi deixando exemplo: de que o brega é música pra viver, que a vida é muito mais linda quando compartilhada, que as pessoas são fontes de amor, que é preciso cuidar da saúde para não deixarmos o mundo material tão cedo e tão carente de amor. Em meio disso tudo, claro, presenciamos gente que nem gostava dele, que não gosta de brega, mas que no dia de sua morte deixou mensagens e compartilhou músicas. Hipocrisia ou não, o que importa é o reconhecimento.

Velório de Rossi, ao fundo Geraldo Júlio com familiares.
Rossi foi tão O cara que até quem não gosta de brega o idolatra. Isso é para poucos, para gênios, para amores ambulantes como ele. Mesmo assim, ainda tem gente que vem dizer "quando uma pessoa morre vira santa" pra Reginaldo Rossi. Pois nosso rei, assim como eu e você, temos defeitos sim e ainda bem. São nossos defeitos que nos tornam humanos, sempre em busca de desenvolver-nos e fazer diferente. Não julgueis a vida de Rossi pelas cachaças e mulheres que ele já teve, lembre-se de que por trás de cada gole de champanhe ele deixou amor e alegria por onde passou. "Rei só Jesus!", amém, mas rei pra mim é aquele ser que representa as pessoas, que é referência, que demonstra amor ao próximo, que tem empatia, que é simples nas suas convicções, que tem riqueza interior! Rossi foi e sempre será rei! Do brega! E a vida continua. E ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais, desejando amar mais. 
 
Sempre que vejo uma pessoa morta tenho uma síndrome de Amélie Poulain. Vejo o corpo e penso em tudo o que a pessoa viveu, presenciou. Penso que aquele corpo já sorriu, já chorou, já gozou, já caiu, já comeu coisas maravilhosas, já bebeu (e como!), já beijou e ganhou abraço... É uma representação de uma vida inteira de momentos, momentos que agora não existirão mais. Rico ou pobre, bonito ou feio, feliz ou não o fim é o mesmo. Assim mesmo, sem privilégios. Viajo e constato que devemos viver e isso Rossi fez bem. Com certeza morreu feliz, fez tudo o que quis e viveu. "Eu bebo sim e estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo" foi um lema e tanto para ele!
 
Homenagens no velório de Rossi
Por onde passava Rossi levava o nome, o brega e o coração do nosso Pernambuco. Você autopreconceituoso, siga o exemplo! No velório, atrás da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) muitos fãs cantavam e ouviam as músicas de Rossi, bebiam todas, em forma de comemoração. Arrepiante! Muitos artistas e pessoas públicas foram prestar suas condolências aos amigos e familiares, inclusive o prefeito do Recife Geraldo Julio (foto). Era a felicidade de tê-lo conhecido, de ter presenciado a alegria e a dor de corno que só ele soube fazer. Nos resta a saudade e o seguir em frente, em ritmo de brega.

19 de out. de 2013

Bregafunk no Fantástico

Link: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/10/mistura-do-funk-carioca-com-eletro-e-brega-faz-sucesso-no-sul-e-nordeste.html

“É um brega solto, todo mundo dançando solto, não tem negócio de dançar agarrado”. MC Leozinho entende das coisas. O brega romântico é baseado no sarro, no enroscado de perna, no esfrega-esfrega iê iê. Já o bregafunk é mais dance, mais agitado, mais cada um dança na sua. A produção musical é artesanal e a distribuição através das carrocinhas de dvd pirata, nos blogs de downloads (que não é esse), nas casas de show. Engraçado é a coletividade, cada um ajuda como pode, até pra embalar cd.
 
Aí vem a contradição (ou não): a maioria dos MCs vêm da periferia e é só ganhar um dinheirinho a mais que vão na onda da ostentação. Limusine, óculos chique, roupa de marca, colar tipo corrente de bicicleta ~de ouro~ servem para desfazer o estilo de vida que eles sempre levaram. Ou ainda levam, visto que muitos continuam morandos nos morros.  
 
Dica de moda de Sheldon: calça skinny facilita o rebolado! hahahaha

Muito amor e plástico pra pouco barulho.

Assim como todo filme/documentário de música que mostra o público entrando no show, vamos lá ao contexto pré-sessão do festival Janela Internacional de Cinema do Recife. Ingressos esgotados, fila dando volta no quarteirão, cheiro de espetinho e gente cantando "Se era", de Musa do Calypso. Eu estava ansiosa pra ver de que modo mostrariam o brega e seus personagens. Ao entrar, algumas pessoas importantes para o filme estavam no palco apresentando o longa, inclusive Michelle Melo e Dedesso (vocalista da Vício Louco). Michelle, nossa diva do brega, confessou que serviu como laboratório para as protagonistas do filme e disse"O brega é minha vida. É muita emoção ver o cinema lotado pra ver um filme de brega".
 
O filme se passa no bairro do Coque com cenas no Pina, legendado em inglês. A personagem principal Jaqueline (Maeve Jenkins), a musa, vocalista da banda "Amor com Veneno" parece estar numa eterna crise existencial. Diz que começou de baixo, que começou a fama há muito tempo... Mas não é feliz, dá pra ver. Já Shelly, a dançarina de brega que sonha em ser famosa, é a vivacidade em pessoa. É mais disposta, decidida e mais alegre. Uma banda concorrente, a "Amor com Mel", trazendo como música de sucesso "Bye bye amor, sou gostosa loira ou morena". Quase plágio. A cena mais comentada e mais esperada foi a de Jaqueline cantando "Chupa que é de uva" de forma bem poética, quase que recitando. Foi interessante, tá, gostei. Na verdade o que mais me agradou foi o humor. Piadinha ou outra aparecia e isso foi deixando o filme bonzinho de se ver, incluindo a antipropaganda do Shopping Rio Mangue (Riomar) e seu dia de inauguração. VRÁ!
 
Shelly e Jaqueline (Musa)
O AMOR foi retratado com cenas calientes, beijos e traições. O PLÁSTICO é explicado no filme, "Sucesso é descartável, feito um copo de plástico bem vagabundo. O tempo passa e vai amassando pra joga fora". Barulho foram as músicas, poucas, que por sinal deixam a Musa com labirintite. Acidente de trabalho, rotina cruel. No fim de tudo achei muito amor e plástico pra pouco BARULHO. Ou pra muito, porque o alarde criado para o filme "Amor, plástico e barulho" foi grande. Poucas músicas e uma história meio deprê (o que não torna o filme ruim, mas faltou animação). Sinto que Maeve será tipo uma Hermila Guedes, estrela de filme cult pernambucano, famosinha nas baladas cult, adorada pelas pessoas cult. Mas voltando ao filme, vamos lá, repensando: se for considerar que nos palcos a vida é muito melhor que nos bastidores, que cores e músicas alucinantes não tornam o coração mais alegre, que geralmente quem vive/usa o brega pra ascender profissional e financeiramente sofre um bocado, ok, filme bom!

29 de set. de 2013

Dá ou não dá?

A noooooova! hahahaha


Faz tempo te procuro
E você nao quer me ver (ela não tá na tua, homi)
Venha praqui menina linda
Eu quero amar você

Vou tirar sua blusinha
Tocar o seu corpinho (mah oê!)
Segure minha mão
To começando a tremer (seeei...)

Eu falo com o seu pai
Ele vai entender
Eu vou namorar sério
Nao vou enganar você

Aham aham aham (senta lá, Cláudia)
Dá dá dá
Não dou não dou não dou não dou

Pode usar drogas, Adnet.

Stand up de Marcelo Adnet em Recife foi voltado a tirar onda com bairros, torcidas, Cardinot... e brega. Deve ser legal fazer piada com coisas que vivem de preconceito, não é mesmo? É fácil ser "inpoliticamente correto" feito Rafinha Bastos. Mas vamos primeiro pro contexto: tema aviões.

- O senhor tem alguma droga na sua mala, senhor?
- Ok, eu confesso... Estou aqui com um cd de Kitara.
 
Risada na certa! É igual antigamente (hoje ainda se vê, mas de maneira mais cuidadosa) quando se fazia piada com gordos ("rolha de poço"), com gay ("voa, gazela!"), com pobre ("na vida, pobre só vai pra frente quando tropeça"), com negro ("modelo de carvoaria"). Achar que uma banda de brega é droga foi um tanto infeliz. Sim, esse pessoal de Stand up quando chega na cidade faz uma pesquisa sobre lugares, comidas e afazeres que são motivo de ~graça~ pra jogar no meio do teatro. É técnica e acho massa, porque fica mais compreensível e adaptável a realidade. Só que em certos casos eu acho preconceituoso, carregado de estereótipos, rebaixante. Sim, não sou obrigada a dizer "que engraçado, isso é só uma piada, não tá ferindo ninguém" se já está sendo. Não gostei e pronto. Opiniões a favor ou contras, mas que tenham as suas opiniões. A minha vocês já sabem...

22 de set. de 2013

Brega Naite 3 anos

Allana Marques, integrante do Golarrolê
A festa que "não deixa o brega morrer" completou 3 anos em clima de alegria, amores e cantorias. Ingressos esgotados dias antes da festa já previam a multidão que ia curtir o show de Musa do Calypso, além de recordar e roer com os bregas mais queridos de nosso Pernambuco. Foi lindo. Parabéns Golarrolê pela diversão e pelo Brega Naite. O Catamaran é um lugar muuuuito massa pra festas que terminam junto com os raios de sol, com gente feliz e dançando como se não houvesse amanhã. Agora teve gente que reclamou da fila das fichas pra comprar bebidas e comida, mas pelo menos eu não tive problema. Enfim, festa feliz, parabéns mais uma vez!

Luana Alves e André Ferreira
Esse querido blog esteve lá, tirando fotos com o público e entregando pirulitos de coração. A receptividade foi ótima, mas teve muita gente que se recusou a tirar foto e "assumir" que estava no Brega Naite. Ouvi até "Minha mãe não sabe que eu tô aqui" ou "Tenho vergonha", o que me passou a sensação de "não posso assumir que gosto de brega", "minha mãe não pode saber que eu danço até o chão ao som de 'amor de rapariga'" ou "essa festa tem muito gay, não posso ficar exposta a essa imagem". Suposições e impressões, mas vai de cada um. Respeitei quem disse que não queria tirar foto e parti pra próxima, pra outros sorrisos, pra "aaai, eu quero foto com certeza", "que lindo o pirulito, obrigada gata!". Foi uma experiência simples e legal, espero que quem viveu isso tenha gostado também! 

Musa do Calypso cantou todo o seu repertório de sucesso, menos "Meu novo namorado", o que foi no mínimo estranho e sem graça. Todo mundo com a coreografia ensaiada, rapaz... hahahaha. Cantou inclusive "A casa caiu" da banda Kitara, o que demonstra o quanto as bandas são unidas (tudo RME Produções facilita também). Priscila Senna confirmou que está grávida e que a barriga já tá começando a aparecer. Será Musinho ou Musinha? 

As críticas e este tipo de festa ainda continua. Recalque? Inveja? Não vou responder porque já chega de estereótipos por hoje, mas penso assim: o povo "mete o pau" nos bregas "de elite". Olhe, o brega pode ter suas origens nas periferias e ser bastante vivenciado por lá, MAAAAAAS nada impede de outros setores sócio-econômicos também usufruirem desse estilo musical. Brega é mais que ambiente e presença geográfica (a minha pesquisa mostrou isso), é também estilo de vida, é viver naturalmente, é sentir a boa música pulsar no coração. É tudo isso! Não venham falar besteira...

Beijos, lindos. Boa semana a todos!

21 de set. de 2013

Na parada gay, todo mundo gosta de brega.

Domingo, 15 de Setembro, teve a parada gay aqui em Recife, tendo como show principal Gaby Amarantos. Muito colorido, muita alegria e toda a ~irreverência~ do povo pernambucano.

Zé Cafofinho, um dos compositores da música "Xirley", música famosa na voz de Gaby Amarantos

Kreiddy Barroso, apresentadora da TV Jornal

E pra finalizar, a sempre linda, simpática, amiga e alegre Gaby Amarantos gravou uma chamada para o querido blog aqui. Sucesso total. No camarim até arroz paraense comi, vê só a famosidade e do carinho que o "Quem gosta de brega sou eu" está. Muito amor!