19 de out de 2013

Muito amor e plástico pra pouco barulho.

Assim como todo filme/documentário de música que mostra o público entrando no show, vamos lá ao contexto pré-sessão do festival Janela Internacional de Cinema do Recife. Ingressos esgotados, fila dando volta no quarteirão, cheiro de espetinho e gente cantando "Se era", de Musa do Calypso. Eu estava ansiosa pra ver de que modo mostrariam o brega e seus personagens. Ao entrar, algumas pessoas importantes para o filme estavam no palco apresentando o longa, inclusive Michelle Melo e Dedesso (vocalista da Vício Louco). Michelle, nossa diva do brega, confessou que serviu como laboratório para as protagonistas do filme e disse"O brega é minha vida. É muita emoção ver o cinema lotado pra ver um filme de brega".
 
O filme se passa no bairro do Coque com cenas no Pina, legendado em inglês. A personagem principal Jaqueline (Maeve Jenkins), a musa, vocalista da banda "Amor com Veneno" parece estar numa eterna crise existencial. Diz que começou de baixo, que começou a fama há muito tempo... Mas não é feliz, dá pra ver. Já Shelly, a dançarina de brega que sonha em ser famosa, é a vivacidade em pessoa. É mais disposta, decidida e mais alegre. Uma banda concorrente, a "Amor com Mel", trazendo como música de sucesso "Bye bye amor, sou gostosa loira ou morena". Quase plágio. A cena mais comentada e mais esperada foi a de Jaqueline cantando "Chupa que é de uva" de forma bem poética, quase que recitando. Foi interessante, tá, gostei. Na verdade o que mais me agradou foi o humor. Piadinha ou outra aparecia e isso foi deixando o filme bonzinho de se ver, incluindo a antipropaganda do Shopping Rio Mangue (Riomar) e seu dia de inauguração. VRÁ!
 
Shelly e Jaqueline (Musa)
O AMOR foi retratado com cenas calientes, beijos e traições. O PLÁSTICO é explicado no filme, "Sucesso é descartável, feito um copo de plástico bem vagabundo. O tempo passa e vai amassando pra joga fora". Barulho foram as músicas, poucas, que por sinal deixam a Musa com labirintite. Acidente de trabalho, rotina cruel. No fim de tudo achei muito amor e plástico pra pouco BARULHO. Ou pra muito, porque o alarde criado para o filme "Amor, plástico e barulho" foi grande. Poucas músicas e uma história meio deprê (o que não torna o filme ruim, mas faltou animação). Sinto que Maeve será tipo uma Hermila Guedes, estrela de filme cult pernambucano, famosinha nas baladas cult, adorada pelas pessoas cult. Mas voltando ao filme, vamos lá, repensando: se for considerar que nos palcos a vida é muito melhor que nos bastidores, que cores e músicas alucinantes não tornam o coração mais alegre, que geralmente quem vive/usa o brega pra ascender profissional e financeiramente sofre um bocado, ok, filme bom!

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