28 de nov de 2017

O poder feminino do brega pernambucano

Muito se canta nos bregas pernambucanos sobre mulheres que descem até o chão porque o cara manda, meninas novinhas que "senta a p* vai c*" porque o cara tá pedindo. Até parece submissão, coisa de mulher vulnerável, mas já perceberam que existem mulheres bem decididas e determinadas por aí? A começar pelas cantoras? Pois é, o trio de meninas superpoderosas do brega pernambucano - Carla Alves, da Loira Marrenta; Priscila Senna, da Musa; e Raphaela Santos, da A Favorita - chegou por aqui para dar uma entrevista :) Digo trio, mas sabemos de tantas outras mulheres lindas e guerreiras que o nosso brega tem, como Michelle Melo, Adriana Araújo, Palas Pinho, Isa Falcão, Elisa Mell... São elas que não só colocam o brega pernambucano lá em cima como nos representa também (sim, sim, esse blog é escrito por uma mulher!). 

Raphaela e Priscila, prévia do clipe "B.O."
A blogueira Patrícia Faria, de Minas Gerais, iniciou a entrevista perguntando sobre o que Carla, Priscila e Raphaela acham do atual cenário do brega pernambucano. Carlinha falou que as pessoas se envolvem muito com as músicas e com as letras, que mesmo as cantoras tendo timbres de voz diferentes, cada uma conquista o público da sua forma. "Todos os fãs se juntam e torcem por todo mundo. Nós somos da mesma empresa, a RME produções e todo mundo se junta pra apoiar. É muito bom ver nosso companheiro de trabalho feliz e fazendo sucesso", afirma Carla. Priscila comentou também que as bandas estão com novas formas de apresentação, já que nem todos os shows possuem bailarinas no palco. Além disso, algumas bandas tem apenas uma vocalista, como atualmente a banda Musa, mas que com A Favorita, por exemplo, Raphaela divide o palco com outro vocalista, o Fabio. A expectativa agora é para o lançamento do novo clipe da banda Musa com a música "B.O.", que conta com a participação de Raphaela, da A Favorita.

Raphaela Santos é cantora do famoso hit "Só dá tu" e vocalista da banda "A Favorita", sua primeira banda. Segundo Priscila Senna, da banda Musa, Rapha sempre teve uma personalidade forte e única, de voz incrível e nunca teve dúvida que a banda ia fazer sucesso. "Deus dá a quem merece", falou Priscila, mostrando o merecimento do sucesso que a banda faz hoje. Para Carla Alves, quando a pessoa canta com amor, quando não sente inveja, quando não atrapalha nem deseja o mal tudo acontece e o sucesso aparece.

Só dá voz bonita, inclusive a minha! hahaha #dublagemperfeita

Mesmo com essas reformulações e com o mundo da música sertaneja tão presente nas rádios, na mídia e nas grades de show de todo o Brasil, as três cantoras afirmam que permanecem muito unidas e representando a forma feminina no mundo brega. Todas mães, jovens e com muito sucesso e carreira pela frente, sabemos que não só representam, mas enriquecem, fortalecem, perpetuam o brega pernambucano. Desde já e como sempre, desejamos muitas felicidades, determinação, carinho e talento que sempre tiveram com nós, bregueiros.

Haja voz! Haja sucessos!

Cantaram junto? Lembraram junto? Dançaram junto? Mandaram muita energia boa para essas meninas? Aí tá certo! Beijos, suas lindas.

1 de out de 2017

Ritmo Kente - um brega de musical

Tem gente que ainda teima em dizer que brega não é cultura. Esse tipo de gente esquece que a música brega é uma das maiores representantes do povo, do amor, do social, da periferias, das crônicas humanas. O brega expressa sentimento, realidade, desejo, alegria, vida. Agora imagine uma peça de teatro repleta de famosos bregas pernambucanos... Perfeito, né não? 


Está em cartaz aqui em Recife a peça "Ritmo Kente: um brega musical", que tem como um concurso para escolher a dançarina do Mc Kivara. Toda a história e seus diálogos tem como base as letras dos bregas, como "Novo Namorado", "Diário", "Rapariga é você", entre outros sucessos. Inclusive a versão de "Opinião" ficou show demais! Ótima dica de passeio, diversão e cultura para curtir com a família e amigos. 
A peça está em cartaz no teatro Eva Herz (dentro da Livraria Cultura do shopping Riomar Recife), sempre às sextas e sábados até dia 14 de Outubro. Os ingressos custam R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira). Vendas no local.
Quem assistiu essa semana foi nossa queridíssima Palas Pinho (foto ao lado), uma das divas e incentivadoras do brega pernambucano.


Vale a pena conferir! Beijos :)


29 de ago de 2017

Lançamento do livro "Ninguém é perfeito e a vida é assim"

Thiago, Michelle e Palas
Melhor capítulo? hahaha
Mais do que um trecho de brega, agora o "Ninguém é perfeito e a vida é assim" também é literatura. Foi no dia 23 de Agosto de 2017 que o cenário brega pernambucano ganhou mais força, respeito e carinho com o lançamento do livro escrito por Thiago Soares, jornalista e professor da UFPE, adorador do brega muito antes dos programas de auditório. No evento estavam presentes amantes do brega, Michelle Melo (ex-Banda Metade, dona de todos os gemidos românticos musicais), Palas Pinho (ex-banda Ovelha Negra, ela mesma, da "Amor de rapariga não vinga não", Thiago Soares e demais parceiros da produção literária. 

De início houve a exibição do curta metragem "Estás vendo coisas", de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca retratando um pouco da rotina do brega como as festas, luzes e sons que permeiam nosso "país" Pernambuco e sua riqueza cultural. Após o curta, o que enriqueceu ainda mais o lançamento do livro "Ninguém é perfeito e a vida é assim: a música brega em Pernambuco" foi o debate entre Jader Janotti, Fernando Fontanella., Chico Ludermir e Thiago Soares. O tema principal remete ao brega como um estilo musical de baixa qualidade, "coisa de pobre", que faz insinuações sexuais e apelativas. Sabemos mais do que nunca de como isso retrata um estereótipo criado pela sociedade considerando que o que vem da periferia não tem qualidade ou denigre a imagem do ser humano. Se "numa letra de um brega se fala de amor", ao mesmo tempo, tem bregas que remetem a uma mulher vulgar, de corpo gostoso e sensual, que a torna passivelmente dominada pela figura masculina (que por sinal, em muitas músicas, pode botar gaia na mulher sem levar culpa). Toda essa discussão vem em cima de todo o contexto histórico da própria origem do brega, de onde ela se mostra, de quem consome - pobre e rico, branco e preto, homem e mulher - e de como é vista socialmente.

Eu e Thiago
.: Faço uma consideração ao que foi comentado lá: não basta falar sobre o brega, é preciso falar também sobre a quebra de paradigmas e esterótipos relacionados a mulher e o negro - duas identidades sociais muito discriminadas - que agora adentram nas universidades, nas diversas áreas de atuação de trabalho e na mídia. O que é falado em teoria, entretanto, muitas vezes não é visto na prática... Palas e Michelle, duas mulheres com rico conhecimento nas vivências de brega, não fizeram parte do debate. Acabei sentindo falta. Ainda, acredite se quiser, muita gente fala comigo na funpage como "Oi cara", "Quem é o donO dessa página?". A surpresa é grande quando digo que quem comanda o blog é uma donA. Até parece que mulher não tem conteúdo, não pode trocar conhecimento, só tem tempo pra cuidar da casa, marido e do corpo escultural em vez de escrever textos. Mais que citação, que nossa presença seja atuação :.

Thiago, te desejo todo o sucesso e saiba que o brega pernambucano sente-se muito feliz com tudo o que foi explorado no livro. Parabéns pelo empenho, parabéns pela coragem, parabéns pela criatividade e força que te fizeram realizar um projeto tão importante para a cultura pernambucana.

Beijo a todos!

11 de fev de 2016

Frevo ao molho de jambu é Gaby Amarantos no carnaval de Recife

Foto: Flavio Nascimento
Pelo terceiro consecutivo, em pleno palco do Marco Zero (para quem nunca passou carnaval em Recife este palco é o maior em linha reta ao ar livre da América Latina, haha), Gaby Amarantos mais uma vez mostrou porque já faz parte do carnaval pernambucano.

Pará e Pernambuco = sintonia
De alegria e simpatia contagiante, a ex-Beyoncé do Pará (sim, esse nome artístico é coisa do passado) iniciou o show com o grande sucesso do carnaval, Metralhadora, com um tubo de led atirando confetes. Pra quem é de paz a música não gera guerra, disse até Ivete. Uma surpresa para quem estava lá foi a participação da vocalista da Banda Musa, Priscila Senna, que junto com Gaby cantou Em plena lua de mel, numa singela homenagem ao nosso queridíssimo Reginaldo Rossi. Uma linda forma de homenagear o nosso brega e o nosso rei. Que saudade...
 
Gaby e Priscila - homenagem a Rossi
 
Em meio a funks e arrochas, Gaby cantou e dançou frevo - o que faz conquistar qualquer pernambucano/turista que não tenha ido a seu show - sertanejo e músicas como Beba doida, Galera da laje e Ex my love que são conhecidas na sua potente voz. O grande evento também foi o local escolhido para o lançamento da sua nova música, Agora chora, que por sinal fez eu me identificar horrores... hahaha. "Acorda que eu já coloquei outro em seu lugar", quem nunca fez isso que atire a primeira sombrinha de frevo na tapioca de dona Maria no Alto da Sé.
 
Música nova "Agora chora"
 
Depois de um show maravilhoso, os comentários "Ela arrasa", "Não a conhecia, adorei o show", "Animou bastante" foram comuns. No nosso carnaval tem espaço para tudo e todos (e ficando uma leve crítica, queremos mais brega pernambucano nos pólos do carnaval multicultural do Recife).
 
Fica o convite para quem nunca veio, é o melhor carnaval do Brasil =)
Aos que curtem todos os anos, venham sempre que aqui o coração de Pernambuco cabem todos <3
 
Beijo grande. Bom restinho de carnaval final de semana!

26 de jan de 2016

A magia dos programas de auditório

Banda Ovelha Negra
Todo pernambucano que se preze lembra dos clássicos programas de auditório: "Muito Mais", "Pedro Paulo na tv", "Tribuna Show" com Denny Oliveira. Eu era daquelas que chegava da escola (sim, isso já faz um tempo) e almoçava na frente da tv, fascinada com as coreografias, com a alegria, com as músicas instrutivas e com o glamour das bandas de brega (e alguns pagode "do tarado"). Se eu sinto saudade? Muita! Hoje em dia existem programas parecidos? Sim! Mas a magia dos programas de auditório de antigamente era diferente... Vou te dizer o porquê:

1) As músicas nos contagiavam de alguma maneira. Era tipo "a oitava maravilha feita para mim". E de repente já estava eu na cola da tv, decorando todos os passos.
 
Banda Gennius -  programa Tribuna Show
 
 
2) As músicas eram sensuais, as danças também e, assim como o É o Tchan, eu não via maldade naquilo... Gemia e cantava como se não houvesse amanhã!
 
Banda Metade
 
 
3) A banda Calypso tocava mais que criança na campainha do vizinho... Acho até que de tanto estarem na tv a lua se aproveitou e começou a trair desde sempre.
 

Banda Calypso
 
 
4) Você sabia praticamente da vida de todo mundo. Era chá de bebê, casamento, visita na casa, clipe em motel, cantora grávida... A gente se sentia parte <3 Coisita lindaaaaa era ter o brega, assim, todo dia!
 
Banda Vício Louco
 
 
5) Sonho não era ter um iPhone ou uma bolsa da Prada; sonho era fazer parte da plateia e ver os ídolos de pertinho. E ainda por cima ficar ao lado de Saradão, hahaha.
 

Banda Manchete
 
 
6) E quando o cantor era gato? E você ficava paquerando pela tv? Kelvis Duran era o galã (junto com Tayrone Cigano) na época... Quem sabe até hoje...
 

Kelvis Duran
 
7) Cantar "Raparigaaaa é vocêeee, mal amada" nas alturas soava como literatura, poesia, crônica social. Nos dias atuais não é diferente, vez ou outra é bom desafogar as mágoas com essa psicologia musical.
 
 
Banda Beijo Bhom
 
 
8) Tem coreografias que a gente nunca esquece. Uma delas é a do "relaxa, relaxa, relaxa eu vou entrar...". Saudade demais!
 
Dayanne
 
 
9) Esses vídeos todos têm mais de "dez anos de sucesso" (eu cantava 'das zonas') e é sempre bom recordar.
 

Banda Calypso
 
É bom falar que valorizamos também os programas novos que têm um formato semelhante a estes. Claro, aquela ideia de que o que foi do passado é melhor é frequente, mas os vídeos acima dão uma nostalgia daquelas. Estes fizeram parte da infância/adolescência de muita gente e tanto pudor que a gente vê hoje não se tinha. Era micro short, era rebolado, eram lances na câmera, era agarrado e safadeza, mas estamos aqui, aparentemente sem traumas.
 
Espero que tenham gostado das lembranças.
Beijos.




8 de dez de 2015

10 lições de cidadania que o brega nos dá

Muita gente fala que o brega é um estilo musical sem conteúdo, de baixa qualidade, que é coisa de pobre e por aí vai. Quem conhece e vive o brega sabe que isso tudo é puro preconceito, visto que o BREGA é um gênero bastante vivido na periferia, que muitas bandas e artistas são da periferia e isso tudo faz com que o rótulo "não presta" seja bem marcado. Em meio a um mundo de informações e de promessa movimentos anti-preconceito, selecionei alguns trechos de bregas que dão licões de cidadania. A você que fala mal do brega, sinto-lhe informar, mas pode rachar a cara. Beijos.
 

1) Brega fala de cor, de preconceitos de raça, de discriminação:
"Você disse que eu me afastasse ficasse distante, pois me achas tão pobre, tão feio, tão deselegante. E até você disse que tem preconceito de cor, mas eu tenho uma arma mais forte, sou feito de amor" (Reginaldo Rossi) 
 
 
Quantos relacionamentos nós vemos e vivenciamos que são baseados em interesses materiais ou discriminação de cor/beleza/poder? Pelo que já passei são vários. Não é a toa que Rossi é nosso rei, uma música dessa é lição de vida.

2) Brega fala de respeito à mulher, da luta contra a violência doméstica.
"Toda mulher gosta de carinho, toda mulher gosta de elogios. Toda mulher é igual a uma flor, tem que ser regada com amor" (banda Musa)


A mulher desde os primórdios foi considerada como um ser frágil, de pouco intelecto, máquina de fazer filhos e cuidar da casa. Que bom que os tempos mudaram e essa visão modificou, mas ainda vemos vários casos de violência, de abuso do corpo da mulher, de inferioridade atrelada ao XX. Embora no mundo brega a mulher seja vista como aquela que é vulgar, de roupas extravagantes e puro objeto sexual, eis um brega que mostra como a mesma deve ser (no mínimo) tratada.
 
3) Brega fala que todos somos diferentes, que não somos perfeitos, mas o respeito deve existir.
"Porque, meu bem, ninguém é perfeito e a vida é assim" (Conde Só Brega)
 
 
Cada um age conforme o que bem entender. Cada um deve agir conforme bem entender, mas sem denegrir o próximo. Cada um deve respeitar o agir do outro, concordando ou não. Ninguém é perfeito, só Deus.
 
4) Brega fala de amor. Tipo muito. A música abaixo nem resume o quanto de amor e amor e amor que tem no brega.
"Sei que tudo não é como a gente quer, mas estou falando de amor" (Ritmo Quente)
 
 
E amor por si só já basta <3
 
5) Brega fala de família. Ou ao menos na (tentativa de) constituição dela.
"Não se saia de fininho, eu não fiz ele sozinho" (banda Bregueço)
 
 
Principalmente com adolescentes, a gravidez muitas vezes não planejada coloca apenas na mulher a responsabilidade na criação dos filhos. Volta a música do tema 2: mulher é pra ser dona de casa e "parideira". O pai faz, mas não assume, talvez por imaturidade. E quando a mãe é imatura também? E quando certidões de nascimento só tem o nome dela, porque ele não foi homem o suficiente para assumir o que gerou? Pior, ele ainda "fica falando que eu sai com fulano, com sicrano"... Rebaixar a imagem dela, colocando-a toda a culpa, afinal, mulher engravida se quiser...
 
6) Brega fala de "seja a mudança que você quer ver no mundo".
"Tu só me dá desprezo e eu te dou carinho" (banda Labaredas)
 
 
Lei de Talião é coisa do passado. Essa história de "olho por olho, dente por dente" nem sempre é eficaz, afinal, se alguém te trata mal nada melhor que retribuir com amor. Se você quer que o mundo mude, que você seja o autor dessa mudança. Pegue as pedras da vida e construa um castelo; faça da queda um passo de dança (de brega, se possível); faça das críticas um degrau para o sucesso; pegue indiferença e desprezo e transforme em bons fluidos. Fácil.
 
7) Brega fala de lealdade.
"Amor de rapariga não vinga, não" (banda Ovelha Negra)
 
 
Em tempos de Tinder, Whatsapp, Instagram é muito fácil manter contato com várias pessoas, muitas pessoas, o que aumenta a desconfiança, ciúmes e infidelidade dos casais. Sim, em tempo de amores líquidos baumanianos relacionamentos se fazem e desfazem com muita facilidade. Ou mantém-se com muita superficilidade. Quando a rapariga entra na dupla os sentimentos se misturam e o que parecia ser forte torna-se frágil demais. O amor (se é que existia) desfaz-se.  
 
8) Brega fala de perdão, um dos princípios básicos da Bíblia.
"Aprendi que a solidão castiga" (Kelvis Duran)
 
 
Somos feitos para viver e conviver, não adianta. Sentir-se sozinho é permanecer na penumbra e é impossível ser feliz assim. Somos feitos para amar, relacionar-se e o perdão é um dos lemas. Somos humanos e, por isso, errantes, mas o segredo é além de errar, assumir o erro e perdoar/pedir perdão.
 
9) Brega fala de atitude, de assumir responsabilidades.
"Onde que eu errei? (...) Como a culpa é minha?" (banda Torpedo)
 
 
É o famoso bode expiatório. Alguém tem que levar a culpa, ser o filtro das ansiedades e angústias das pessoas e dos relacionamentos. Quem trai diz que o outro tem parcela de culpa porque não é um bom marido, porque não ajuda em casa, porque isso e aquilo. Fica arranjando motivo para dizer que não fez aquilo em vão. Fazer besteira é fácil, difícil é assumir os próprios erros. Vai vendo...
 
10) Brega fala de brega. Respeitem esse ritmo/estilo/gênero/jeito musical lindo.
"Numa letra de um brega fala de amor, de grandes coisas dessa vida que a gente passou" (banda Aparências)
 
 
 
 
Perceberam como funciona? Perceberam que não é vergonhoso gostar de brega? Perceberam que muita gente rotula sem nem conhecer? Olhe que isso foi só um resumo... Isso e muito mais vocês encontram na funpage "Quem gosta de brega sou eu".
 
Espero que tenham gostado. Beijos bregosos para vocês
;*

29 de abr de 2015

Gravação do dvd de Adilson Ramos

Teatro Boa Vista lotado na gravação do dvd de Adilson Ramos.
Duas noites memoráveis! Os dias 17 e 18 de Abril ficaram marcados na história do brega romântico, do bolero apaixonado, da música popular brasileira dos salões de dança. Adilson Ramos e todo o seu carisma, seu filho Cristian Ramos - músico, cantor e produtor do dvd - juntamente com a banda maravilhosa, produtores e equipe de apoio promoveram um show de talento, musicalidade e... brega.

Músicas clássicas como "Olga", "Leda", "Relógio", "Sonhar contigo", "A chuva me lembrou você",
Adilson e Cristian cantando clássicos da Jovem Guarda.
entre outras, fizeram parte do repertório deste grande espetáculo. Arranjos diferentes, numa pegada mais dançante, arroxa, num toque sertanejo, por aí... Ficou bem legal!

Agora vamos aguardar informações de quando o dvd será comercializado, mas aos fãs uma boa notícia: este dvd será um especial da Globo Nordeste! Para quem não foi sentirá o gostinho da maravilha que foi o show e quem foi recordará este momento especial.

Abraços =)  

11 de abr de 2015

Chegou no Pará, parou!

Este não é um blog de viagens, todos sabem disso, porém a terra visitada neste feriado foi Belém do Pará, conhecida por sua riqueza cultural e musical (aí o brega entra). Quando eu dizia "Vou pra Belém no feriado" ouvi várias pessoas falarem "Perdeu o quê lá?". Puro preconceito regional de gente que diz ~amar~ o Brasil, acredito eu. E na minha breve resposta "Perdi teu preconceito lá, sou louca pra conhecer o Pará e vou encontrar muita coisa legal" eu tinha certeza de uma viagem cheia de experiências e coisas exóticas. Acertei!


Pinduca, o rei do carimbó.


Assim que cheguei, por volta das 23h, fui conhecer a famosa festa Quintarrada, promovida pelo guitarrista fera Félix Robatto. Gente interessante, de todas as idades, que estavam ali esbanjando alegria e gingado. Festa das boas, ótima dica pra quem quiser conhecer e vivenciar um pouco do cenário musical paraense. Na mesma noite, por  sorte destino maravilhoso meu, teve show de Pinduca, grande ídolo, ícone e rei do carimbó. Ouvir "Sinhá pureza" in loco foi bem especial.

 
Passeio de barco pelo rio Guamá, 06h30.
 
PRIMEIRO DIA
Às 05h00 da matina (sim, logo após a Quintarrada) partimos (eu e um amigo) para um passeio pelo rio Guamá, rumo à ilha dos Papagaios. Cenário paradisíaco para um belo início de dia, ao som do canto dos papagaios que acabaram de acordar (diferente de mim que nem dormi). É aquele momento em que você agradece a Deus por mais um dia, por mais uma oportunidade de estar vivo. Ver os papagaios voando aos pares dá a sensação de que não estamos sozinho neste mundo nem muito menos devemos desperdiçar os bons momentos que a vida nos dá, seja ela o mais simples que seja.
Maniçoba + Caruru + Vatapá
De volta ao hotel, seguimos para o centro da cidade, de ônibus. Fizeram muito medo do tipo "só ande de táxi, Belém é muito perigoso", mas morar em Recife é quase um estágio para qualquer outra cidade. Descobri que várias linhas de ônibus passam pelo mercado Ver-o-peso (e muita coisa legal fica nas redondezas dele) e turistar em Belém não foi algo de outro mundo. 
Visitar a Basílica de Nazaré (belíssima), Mercado Ver-o-peso,

Ver-o-peso
Praça do relógio, Igreja da Sé, forte do Presépio, Casa das 11 janelas, igreja do Carmo, Mangal das Garças. Vislumbrar um pouco de cada lugar  é vivenciar muita história, beleza e cultura, além de fazer uma longa caminhada que nem cansa (quando o assunto é viagem a gente anda quilômetros que nem sente). O bom disso é o queimar das calorias ganhas na viagem. A parte gastronômica de Belém é bastante desenvolvida e embora eu não tenha apreciado muita coisa, me senti uma índia falando tanto bacuri, jambu ("o tremor do jambu é gostoso demais", como canta Dona Onete), uxi, cumaru. Em meio a passadas turísticas, o descanso merecido de fim de tarde no Mangal acredito que foi o auge do dia. Entrada gratuita, espaço bem amplo, arborizado, cheio de garças dando rasante na sua cabeça e uma vista belíssima de quase toda Belém. Até certo ponto é um oásis em meio ao rio e a periferia, em meio ao barulho e a correria.
 

Escolha o seu óleo ou perfume, hahahaha. Diretamente do Ver-o-peso (para quem acredita deve funcionar mesmo).
 
SEGUNDO DIA
Cerveja sabor Taperebá = Cajá
Vir a Belém e não comprar o óleo da Bota é ir a Recife e não comer bolo de rolo (exageros, tô brincando, hahaha). Sendo assim, fazer compras no Ver-o-peso é melhor do que comprar roupa em Miami. Os investimentos foram de castanha do Pará, bacuri, jambu a cds de brega, óleo "Pega homem" e vasos marajoaras. Ao lado do Ver-o-peso (que, pensava eu, era aquele prédio azul legal, mas na verdade aquele é o mercado de peixe) fica a estação das Docas. Linda! Toda de ferro, com banda passando por cima de você enquanto você almoça, toma um chope da Amazon Beer (cervejaria de lá) e depois toma um sorvete na Cairu (sorveteria top de Belém, ponto turístico-gastronômico). Lembra muito o nosso Marco Zero, beirando o rio, barquinhos passando, lugar tranquilo e de boa paisagem. 
Jurunas vista da varanda de Gaby com o rio Guamá no horizonte.

Após a estação das Docas (bem após, após mesmo, mas é andável) fica o Ver-o-rio. Lugar tranquilo também, ótimo para casais apaixonados e apreciadores de um pôr-do-sol refletido no rio. De lá, segui para o famoso bairro do Jurunas, terra da nossa querida Gaby Amarantos. Que visita linda, meu deus. A casa dela é linda feito ela e a terra dela é exótica feito ela. De uma de suas varandas dá pra ver o rio e a igreja em que a mesma começou sua cantoria, seu gogó de realeza.
A Portinha
Bairro simples, com jeito acolhedor, mas que também nos ofereceu um "cuidado quando chegar lá, cuidado com o celular, é melhor não pegar ônibus" bem típico de periferia plana (sem morro).
Depois no momento vip, amiga viajante e jornalista do brega, Gaby nos levou para a Portinha, restaurante espaço gastronômico bem conhecido por lá, que já ganhou vários prêmios, localizado na Cidade Velha e de comida ma-ra-vi-lho-sa. A maniçoba lá é gostosa, por aí você tira (comi um no centro da cidade e tinha gosto de terra). Além do pastel de pirarucu + jambu (o famoso mato que treme) + tucupi, provei o bolo de chocolate com castanha do pará e cupuaçu. Gente, perfeito. Pensei até em comer o bolo todo e voltar pra Recife nadando... Sério. Muito bom. Depois do abraço caloroso de Gaby e a comilança, voltamos para o hotel.





Mangal das Garças
 





















TERCEIRO (e último) DIA
O voo saia no fim da tarde, então o passeio ficou reduzido. Seguimos para a praça de República, que é tipo a ~praia de domingo~ de lá. Famílias reunidas, feira de artesanato, apresentações culturais, crianças brincando. Uma típica manhã ao ar livre. Nesta praça fica localizado o Teatro da Paz (o Santa Isabel de lá), bem legal por fora. Estava fechado e não pude ver a lindeza por dentro (segundo as imagens do Google e referências pessoais). Estava lá um famoso vendedor de cds bregas e de músicas românticas, o Bacalhau, conhecido por ser chapéu de gaia touro.
Teatro da Paz
Até então ainda não tinha pego chuva em Belém, o que é raro. Pois... Nesta linda manhã de sol fui surpreendida por uma chuva daqueeeelas, torrencial. E igual a Recife, só chuva, nada de diminuição de calor e mormaço. Depois desse leve transtorno, fomos para o shopping Boulevard, que assim como os de todo o Brasil, estava com a praça de alimentação lotada. Após o shopping, a dor da partida... Aeroporto.

Em resumo, terminei a viagem com a energia renovada, cheia de histórias pra contar e fotos pra me amostrar. Bom mesmo é ver o quanto o nosso Brasil é rico em cultura, natureza, belezas que muitas vezes não são exploradas. Gente que conhece a Torre Eiffel (nunca fui), diz se orgulhar do Brasil, mas sente vergonha da região Norte que só tem mato e macaco ou do sotaque do nordestino. Gente de mente pequena e que está erradíssima. Fica aí a dica para vocês conhecerem este estado que já sabia que era bom, mas confirmei que é mesmo!

Beijos com sabor de cupuaçu e cachaça de jambu :)