20 de nov de 2011

A prefeitura e o brega.

E quando a Prefeitura do Recife banca show de brega em pleno Recife Antigo? De início eu achei estranho, mas depois analisando o caso é até justificável. Depois da reportagem passada em rede nacional falando do Recife Antigo, patrimônio histórico e cultural, que estava meio abandonado, com tráfico de drogas e violência urbana, a prefeitura criou o projeto Viva Recife Antigo, em que de quinta a domingo acontecem atrações musicais, teatrais, feira de artesanato e por aí vai, tudo pra mostrar que o lugar não morreu. Realmente, a movimentação só acontecia na época de carnaval (e que movimentação), depois disso a cidade parava, com pouquíssimos eventos durante o ano, como no São João ou alguma noite de seresta.

Essa leve introdução é só pra falar do que realmente foi a noite de ontem. Uma banda de música sertaneja - Luiz Vieira - e duas bandas de brega, a Victor Camarote e Banda Arquibancada e Faringes da Paixão. Muita gente, muita animação, pouca cerveja (não que isso me afetasse) e aquela sensação de que metade do pessoal estava ali só por "frejo", só por oba oba. Por quê? Bom, ali tinha gente que nunca tinha visto/ouvido Faringes da Paixão (ouvi a pessoa falar isso, não tô inventando), gente que ouvia as músicas e nem sequer sabia o refrão, mas pelo menos tava se remexendo, gente que disse pra mãe que ia ver "uma banda massa de brega, mas né da bagunça não".

VCBA, do último show que fui pra ontem, melhorou (não que eles fossem ruim) bastante. Colocaram uma batida tecnobrega nas músicas, o repertório tá massa, a banda tá mais produzida em termos técnicos de música, eu achei. Faringes da Paixão arrasaram com o novo repertório, coisa que havia comentando com um integrante da banda. Como eles tocam em tudo que é buraco meio que já estava manjado, já tava enjoando, mas ontem eles realmente surpreenderam. Sem fazer spoiler, mas já fazendo, ouvir "Não se reprima" e "Voltei Recife" em ritmo de brega foi inenarrável, imensurável, inacreditável. As bandas ganharam nome, ainda bem, e o povo vai porque "Banda Tal vai tocar".

Eu curti demais, como sempre curti os meninos e outros bregas bagaceiras, mas ao que parece o evento ontem tinha cara de "lavagem do brega". Vamos lá! Duvideodó a prefeitura colocar na Praça do Arsenal MC Sheldon, Vicio Louco, Swing do Amor, Metal e Cego, os chamados bregas da periferia. Duvido! Mas como a onda brega tá retomada, é mais "sociável", "seguro", "bonitinho", "conveniente" colocar as bandas que tocam brega que tem tudo no lugar. Em discussões sobre a música paraense é uma espécie de "branquinização" da música "negra", é deixar o brega sujo passar por limpo. É dizer que vai pro brega "mas não é aquele que fala baixaria não, painho". Isso acontece comigo quando digo que gosto de brega. O povo se assusta. Gente, brega não é só MC e meu blog está aqui pra provar isso. Quando eu digo"Ah, eu cuido da comunicação de uma banda de brega, a Club Cabaret", a cara logo entronxa. Se brincar, falar que usa drogas dói menos, hahaha. A palavra "cabaret" remete a put* e o povo já acha isso ruim, sem nem ao menos experimentar. Cheguei a ouvir até um "Mas o brega deles não é o autêntico, tás fazendo errado". Claro que não é, mas não deixa de ser brega não é mesmo? A Club Cabaret, assim como Faringes, De Las Negas, VCBA estão aqui para "limpar" a imagem do brega. É uma faca de dois gumes, porque tirar onda/usufruir de algo que a sociedade diz que não presta é no mínimo estranho, mas ao mesmo tempo aumenta o cenário bregueiro em Recife e adjacências. Errado é ter lá no Id as danças e as músicas bregas preferidas e sair falando por aí que não gosta, que é baixo e sem cultura demais. Não vou cansar de falar isso por aqui, deixem de ser recalcados! Assuma que gosta de brega, de fazer faxina ouvindo Zezé di Camargo e Luciano, que tem um pôster de Reginaldo Rossi guardado embaixo da cama.

Em resumo, a iniciativa da prefeitura em levar o brega foi massa, escolheram as bandas, do momento, não vou mentir, mas precisava fazer esse comentário.

Beijooos, ótimo começo de semana para vocês! =)

5 comentários:

  1. Bom texto Lua!

    Gostaría de agradecer em nome da Faringes da Paixão os elogios ao nosso trabalho.

    Entretanto faço questão de pontuar algo que pontuamos desde o início da banda: nós nunca "tiramos onda" do brega, nossa proposta sempre foi e sempre será HOMENAGEAR o estilo. Por exemplo a nossa indumentária dos shows não é fantasia, é o sonho de poder se vestir assim ao menos algumas vezes na semana.

    Discordo também com essa "teoria geral" de que o brega "de verdade" é o brega da periferia. Por que? O que é o brega senão o conjunto RITMO + ESTILO MELÓDICO + LETRAS QUE FALAM DO COTIDIANO/AMOR? Pra fazer isso não precisa ter nascido no morro, basta ter nascido com o coração sofredor =P

    Çusessu!

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  2. Obrigada Emannuel!

    A questão do "tirar onda" que falo também tem o sentido de homenagear, como você falou. A partir do momento que você brinca (ou usufrui, como falei no texto) com algo, você leva consigo a referência, a homenagem, a apresentação daquilo que você gosta (ou não). Quanto a roupa, eu acrescentei isso no Brega Pop
    http://www.bregapop.com/luanaalves/item/374-a-prefeitura-e-o-brega

    O combo ritmo+letra é a marca principal do brega, eu acho. Tem música que tem a letra mais baixa que eu, mas com um ritmo massa, envolvente. Também tem música que nem tem o ritmo brega, mas tem uma letra causadora de ressaca com vinho Carreteiro. Quem fala que brega não presta, é fútil, não tem conteúdo muitas vezes não conhece o estilo. Se prende a uma música, generaliza e cabou-se.

    Çusessuuuuu pra noize! =)

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  3. Tiro meu chapéu, viu??
    :D
    APOIADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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